segunda-feira, 16 de julho de 2018

Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência-curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.
Lord Byron

sábado, 14 de julho de 2018

Esquisofrenia(Autoral)

[IC]  Na remota cidade de Tromsø, ao norte da Escandinávia, é onde fica o Hospital Psiquiátrico de Asgard, que já na entrada anuncia sua particularidade: "behandlingstilbud medikamentfritt" (livres do tratamento de drogas), um slogan.

Muito convidativo, se não fosse por um porém!

O hospital tratava seus pacientes com muito ópio, algo desumano ao tratar seus internos.

A grande maioria era perturbada em seus piores infernos.

Mulheres jovens em sua loucura sendo abusadas por seus cuidadores!

Um manicômio onde, por trás de seu nome a zelar, aconteciam as piores das atrocidades...

Mary Jane, jovem da alta sociedade, estava ali há algum tempo internada. Tocava piano esplendorosamente, que, ao toque, soava a mais das lindas nota. Entrava, na alma, o som e a música.

Pele alva, olhos grandes de um azul cor do céu, mais puros cabelos ruivos e longos e uma beleza exótica!

O médico John Carter acabara de entrar para trabalhar nesta instituição. No olhar de Mary Jane, algo profundo o tocou profundamente... E se apaixonara à primeira vista, deixando-se levar pelos encantos da bela jovem.
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Em seu primeiro dia de trabalho, teve que lidar com as mais das absurdas atrocidades, cometidas por seus companheiros de profissão.

A maioria eram anciões: médicos velhos, ambiciosos e doentes pela perfeição.

[I]Indignado com aquela situação, o jovem médico pensou em sair dali às pressas e sem olhar para trás.
[I]
Mas não podia. Lembrara-se da doce e encantadora Mary...

Que conquistara seu coração.

Então, resolveu ficar, investigar o local e salvar sua amada da loucura!

Deitado em sua cama e com uma pingueira em sua cabeça, começa a ter pensamentos...

De como salvaria sua doce e bela Mary Jane...

Mas estava sem ideias no momento e, com os olhos começando a ficar pesados, adormeceu.

Ao dia seguinte, as sessões de lobotomia que presenciou o deixavam pertubado. Corpos magros, desnutridos, com um fedor alucinante.

[I]Ali, estava descartada a maioria, mutilada e com os membros do corpo simplesmente faltando. Muitos morriam, perdiam muito sangue e, sem se alimentar adequadamente, sucumbiam.

Uma monstruosidade nervosa.

Hoje à noite, aconteceria um grande evento: um baile.

O grande Baile do Sanatório.

Mary Jane estava no piano e sua música soava com os mais dos puros sons e notas.

[I]Algo surreal entrava nos ouvidos e encantava... Os internados, em meio ao salão, bailavam como pessoas normais e sem problemas, livres do mal que lhes afligia.

Bailavam sem parar, com altas gargalhadas, num frenesi quase que alucinante.

John Carter, ao alto da escadaria, observava.

Tudo não passava de uma distração para, assim, não se ouvirem os gritos que vinham por baixo do grande prédio.

Rapidamente, as macas, com seus corpos já sem vida, passavam por aquele escuro corredor, que tinha cheiro de morte.

[I]Amanheceu e John observava o salão. Mary Jane não estava mais lá.

[I]Mas o que seus olhos viam ali, agora, deixou-lhe horrorizado...

Uma montanha de corpos mutilados e já sem vida. Então, ele corre o mais rápido que pode!

Sua amada estava deitada, nua em sua cama e virada para os raios de sol, que tocavam sua pele aveludada e seus cabelos ruivos.

[I]John caminha em demorados passos até sua amada e, ao virar-se, percebe algo estranho: Mary Jane estava sem vida, pálida e rígida. Ele a abraça num grito sobrenatural e ri bem alto. Em sua mente, também doentia, vem um filme em preto e branco e este se vê ali internado, quando mais jovem, passando pelas piores experiências e conseguindo fugir daquele maldito sanatório, com desejo de vingança... John sofria de esquizofrenia, já diagnosticado desde muito jovem. E seus pais o internaram, achando que teria cura.

[I]É... Desde o dia de sua intervenção, sofrera abusos das piores espécies.

[I]Então, ele resolveu não mais falar e viver em um mundo interno, dentro de sua mente. MAS...

Ele havia, sim, retornado. Mas matara todos que ali estavam.

[I]Assim que o filme chegou ao fim em sua cabeça, ergue-a e, num olhar profundo, ri friamente... E caminha, chegando novamente em outra instituição...

Entrando e fechando a porta para mais uma...

História... 🥀